Exportações de carne bovina perdem fôlego em outubro após cota chinesa ser atingida
Ritmo diário de embarques ficou cerca de um terço abaixo de outubro de 2025, mas preço médio da tonelada subiu.
As vendas de carne bovina brasileira ao exterior desaceleraram em outubro. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados por veículos especializados, mostram que o país embarcou cerca de 154,5 mil toneladas nos primeiros 16 dias úteis do mês, o que dá uma média diária perto de 9,7 mil toneladas.
O número ficou aproximadamente 34% abaixo da média diária de outubro de 2025, que foi de 14,6 mil toneladas. Se o ritmo se mantiver, o total mensal deve ficar mais de um terço menor que o do mesmo mês do ano passado.
O fator China
A principal razão é a política comercial chinesa. Para 2026, a China fixou uma cota de pouco mais de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina brasileira dentro das condições tarifárias de seu mecanismo de salvaguarda. Com o volume preenchido, as compras do maior cliente do Brasil diminuíram, e os frigoríficos passaram a ajustar escalas para evitar tarifas adicionais.
Preço compensa em parte
Se o volume caiu, o valor por tonelada subiu, com preço médio acima de US$ 6,2 mil. Ainda assim, o ganho não é suficiente para compensar toda a perda de receita.
Há um sinal positivo: o ritmo de outubro ficou ligeiramente acima do registrado em setembro, quando o país exportou 195,2 mil toneladas, o menor resultado mensal recente. Para analistas, porém, ainda é cedo para falar em retomada consistente.
E o boi gordo?
Curiosamente, a queda nos embarques ocorre ao mesmo tempo em que a arroba do boi bate recordes no mercado interno. O motivo é a oferta restrita de animais para abate, que tem pesado mais na formação de preços do que o ritmo das exportações.
Com informações da Secex, Safras & Mercado e Compre Rural.






